Jardins do Rio de Janeiro – Dicas de passeios
Matéria de hoje no Cena Carioca.com.br sobre opções e roteiros de passeios a jardins do Rio de janeiro no link:
http://www.cenacarioca.com.br/cena-carioca/jardins-rio-de-janeiro-dicas-passeios
Importante: a fotografia que acompanha a indicação do Sítio Burle Marx na verdade é da casa de Edmundo Cavanelas, projetada por Oscar Niemeyer, em 1954, com paisagismo de Burle Marx, localizada em Pedro do Rio, distrito de Petrópolis, RJ.
9 de agosto de 2014
8 de agosto de 2014
Os ipês de Belo Horizonte
As lembranças que tenho mais vivas de Belo Horizonte são dos ipês da Avenida Afonso Pena, das árvores e canteiros da Praça da Liberdade e dos ficus gigantes da área hospitalar. O pôr do sol no Campus da UFMG, na Pampulha, também era um espetáculo que gostava de me deliciar calmamente toda tarde. Lembro-me particularmente de ver o sol se pôr por trás da Reitoria, quando a luz laranja ia tomando conta das árvores do Campus.
Sempre que vejo ipês floridos, em qualquer lugar, minha memória pousa na Afonso Pena que atravessava diariamente para chegar ao Arquivo Público Mineiro (onde trabalhava).
O Estado de Minas de hoje fez uma matéria com os ipês rosa que estão todos floridos. Vejam que espetáculo: http://www.em.com.br/app/galeria-de-fotos/2014/08/07/interna_galeriafotos,4420/ipes-encantam-bh.shtml
A matéria completa está neste link:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/08/07/interna_gerais,555925/ipes-cor-de-rosa-tomam-conta-de-pracas-jardins-e-ruas-de-bh.shtml
Sempre que vejo ipês floridos, em qualquer lugar, minha memória pousa na Afonso Pena que atravessava diariamente para chegar ao Arquivo Público Mineiro (onde trabalhava).
O Estado de Minas de hoje fez uma matéria com os ipês rosa que estão todos floridos. Vejam que espetáculo: http://www.em.com.br/app/galeria-de-fotos/2014/08/07/interna_galeriafotos,4420/ipes-encantam-bh.shtml
A matéria completa está neste link:http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/08/07/interna_gerais,555925/ipes-cor-de-rosa-tomam-conta-de-pracas-jardins-e-ruas-de-bh.shtml
5 de agosto de 2014
Jardins modernos do Gustavo Capanema (RJ)
No alto dos 16 andares do Edifício Gustavo Capanema (RJ) tem um jardim moderno, com árvores e arbustos - e ninguém vê.
O Edifício ou Palácio Gustavo Capanema, localizado no centro do Rio de Janeiro, é considerado uma dos principais edificações modernistas brasileira. Construído entre 1937 e 1945, o projeto, inspirado por Le Corbuisier, era liderado por Lúcio Costa e contava com uma equipe de jovens arquitetos integrada por Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Jorge Moreira, Affonso Eduardo Reidy e Ernani Vasconcellos. Nele funcionou a do Ministério de Educação e Cultura e, por este motivo, era conhecido como Edifício do MEC.
O Projeto original foi alterado inúmeras vezes, conforme pode-se ver pela documentação do tombamento constante do acervo do Arquivo Centro do IPHAN-RJ, que funciona no mesmo edifício. As linhas curvas dos jardins, tanto do térreo (nível da rua), quanto do jardim terraço localizado na altura do 2o. piso e do jardim do décimo sexto andar, são as mesmas dos painéis de Candido Portinari, dos tapetes e de alguns móveis do interior do edifício. Os jardins foram projetados por Roberto Burle Marx, o maior nome do paisagismo brasileiro de todos os tempos.
O Edifício está apoiado em pilotis de dez metros e seus 16 andares foram erguidos com materiais como ferro e concreto, mármore de lioz, tijolo de vidro inglês misturado com mármore amarelo.
O Edifício, todo ele, com seus jardins, mobiliário, painéis de azulejos e outra gigantescas telas internas, além das esculturas de Bruno Giorgi, Celso Antônio e Alfredo Ceschiatti, é uma enorme obra de arte.
Para várias fotografias do edifícios e dos jardins do 3 níveis, clique aqui.
Livro novo da Sonia Berjman
A historiadora argentina Sonia Berjman e vice-diretora do IFLA-Comitê Paisagens Culturais do ICOMOS lança no próximo dia 13 de agosto seu novo livro: Los Paseos Públicos de Buenos Aires y la labor de Carlos León Thays (h) entre 1922 y 1946".
Sónia Berjman dedicou sua carreira e pesquisas a investigar os jardins e as paisagens culturais e é, atualmente, uma das maiores pesquisadores destas temáticas no mundo, com doze livros publicados e/ou organizados.
Em 1996 defendeu, pela Universite Paris 1 Pantheon-Sorbonne (France), a tese "L'oeuvre des architectes-paysagistes francais a Buenos Aires : l'espace vert public entre 1860 et 1930", escrita em quatro volumes e quase 2 mil páginas. Em 2001, ela publicou no Vitruvius um artigo sobre os Espaços Verdes de Buenos Aires:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/01.008/935
Para conhecer mais sobre esta querida e gentil historiadora argentina, vejam no site: http://www.soniaberjman.com.ar/
1 de agosto de 2014
Paul Villon e o jardim romântico no Brasil
Paul Villon (Roybon le 20 juillet 1841 - Nice 10 octobre 1905) foi um dos principais jardineiros paisagistas a atuar no Brasil entre a década de 1870 e 1905. Foi ele o responsável pelas obras em rocaille executadas na Praça da Acclamação, sob a direção de Glaziou. É provável que ele tenha vindo para o Brasil para ajudar a executar a grande obra do Campo de Santana ou Praça da Acclamação ou Praça da República.
Depois deste trabalho, destacou-se na construção da nova Capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, a partir de 1894-95. Ali projetou o Parque Municipal, a Praça da Liberdade e os jardins do Palácio da Liberdade, que eram gigantescos e hoje estão reduzidos à sua ínfima parte.
Aarão Reis, um dos responsáveis pelo projeto da nova capital de Minas, tinha atuado na remodelação do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, no final do século XIX. Conforme sabemos, foi Paul Villon quem fez o projeto paisagístico do local, com a construção das obras naturalistas, como o mirante, a gruta e as pontes com imitação de troncos de árvores, que ainda hoje podem ser encontradas no lugar.
Depois deste trabalho, destacou-se na construção da nova Capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, a partir de 1894-95. Ali projetou o Parque Municipal, a Praça da Liberdade e os jardins do Palácio da Liberdade, que eram gigantescos e hoje estão reduzidos à sua ínfima parte.
Aarão Reis, um dos responsáveis pelo projeto da nova capital de Minas, tinha atuado na remodelação do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, no final do século XIX. Conforme sabemos, foi Paul Villon quem fez o projeto paisagístico do local, com a construção das obras naturalistas, como o mirante, a gruta e as pontes com imitação de troncos de árvores, que ainda hoje podem ser encontradas no lugar.
Paul Villon construiu, no Brasil, à maneira francesa, grandes rochedos, cascatas e grutas artificiais. É possível que ele tenha introduzido no Brasil o cimento armado ou betão armado (beton armado) para construção destas obras naturalistas pitorescas. Este tipo de técnica era utilizada em Paris por Alphand, com o qual Paul Villon trabalhou antes de vir para o Brasil, nos parques públicos projetados na capital francesa durante as reformas de Haussman. Sobre o assunto da técnica do concreto ou betão armado ver o artigo escrito em parceria com a professora Teresa Marques, da Universidade do Porto, sobre as obras feitas com esta técnica e materiais nos jardins românticos tanto em Portugal quanto no Brasil, intitulado: "Técnica, Arte e Cultura nos jardins de meados de oitocentos até ao limiar do Século XX, em Portugal e no Brasil", disponível em: http://zip.net/bxpbQY
As obras executadas no Jardim da Praça Halfeld, em Juiz de Fora, entre 1901 e 1902, seguia este mesmo projeto paisagístico do jardim romântico com obras naturalistas em concreto armado, na imitação de pontes, cascatas, grutas, repuxos, bancos, entre outros. Parece-nos que quem executou as obras na Praça Halfeld foi um jardineiro paisagista chamado Sr. Rocha, infelizmente não obtivemos outras informações sobre este senhor. No final do século XIX, outro jardineiro paisagista construtor destas tipologias de obras para jardins românticos atuava em Juiz de Fora, chamado João Ribeiro Bastos. Mas não conseguimos localizar conexão entre o trabalho de João Ribeiro Bastos e os jardins da Praça Coronel Francisco Halfeld. Em 1895, ele era proprietário de uma petisqueira portuguesa, em Juiz de Fora, e deve ter se aposentado da função de construtor.
Em outra publicação falarei especificamente deste mobiliário para jardins paisagistas ou românticos ou "jardins de estilo" em Portugal.
Fotografia de Paul Villon tirada em Paris, antes de vir para o Brasil
Imagens do Campo da Aclamação feitas por Marc Ferrez quando da inauguração do lugar, em 1880, mostrando as obras de Paul Villon
Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, construída por volta de 1904 com as obras de Paul Villon
E, apenas como aperitivo, uma fotografia da Gruta e Lago da Quinta do Castelo em Santa Maria da Feira projetada pela Companhia Hortícola-Agrícola Portuense (foto Teresa Marques, 2008) - esta imagem e outras estão no artigo mencionado: http://zip.net/bxpbQY
28 de julho de 2014
Parque Halfeld - Juiz de Fora
O Parque Halfeld na mineira cidade de Juiz de Fora é um dos exemplares de jardins românticos construídos no Brasil no início do século XIX. O Parque foi tombado pelo Decreto 4223, de 10 de novembro de 1989, pelo COMPPAC – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, de Juiz de Fora, portanto, é um bem tombado e que deveria ser protegido como tal.
De acordo com o Dossiê de tombamento do Parque, em 1901 Francisco Mariano Halfeld realizou remodelações no Jardim Municipal, com as despesas assumidas por ele. Com a Resolução 472, daquele mesmo ano, o antigo logradouro passou a denominar-se Praça Coronel Halfeld. Portanto, a construção do mobiliário, da cascata, dos cursos d’água e dos caminhos sinuosos que caracterizam um jardim romântico do início do século XX e que estão presentes no Parque Halfeld, foi realizada a partir desta reforma de 1901.
A transformação do logradouro público em um jardim paisagista ou romântico era condizente com os jardins da vizinha cidade do Rio de Janeiro, da mesma época. Em 1906, por exemplo, foi construído o Jardim do Valongo, obra do paisagista Luiz Rei na encosta do Morro da Conceição, também com as mesmas características paisagísticas do Parque Halfeld.
No entanto, surpreendi-me neste final de semana com a notícia de que a Prefeitura de Juiz de Fora instalou no Quiosque do Parque Halfeld vidro temperado para ser ocupado pela Guarda Municipal, descaracterizando o mobiliário e alterando profundamente o seu uso - que deveria ser público e contemplativo.
A Carta de Juiz de Fora (vejam só que irônico!) ou a Carta dos Jardins Históricos Brasileiros, publicou (2010) que dentre os principais fatores de degradação de um Jardim Histórico estão: 1) Cessão de áreas do jardim histórico para usos e instalações alheios a suas funções originais, tais como bancas de jornal, caixas eletrônicos, monumentos estranhos à história do sítio, plantios comemorativos de espécies vegetais em locais não previstos no projeto original, marcos e esculturas homenageando políticos e religiões; E que deve ser feita "Avaliação da capacidade de carga de cada jardim histórico com o objetivo de evitar usos excessivos e danosos ao patrimônio neles protegido".
Ainda, de acordo com texto da mesma carta, “o termo preservação engloba todas as ações que visam a salvaguardar bens culturais identificados, classificados ou protegidos. Segundo a Carta de Nairobi, aprovada pela Unesco em 1976, a preservação deve significar a identificação, proteção, conservação, restauração, renovação, manutenção e revitalização, ou seja, todas as operações necessárias à defesa e salvaguarda de um bem, o que inclui ainda o uso, planejamento, administração e outras ações”.
O Parque Halfeld faz parte da identidade e da memória dos habitantes da cidade de Juiz de Foram, há mais de um século. E configura-se como um dos poucos remanescentes dos jardins românticos do estado de Minas Gerais (e do Brasil).
Na lista constante do site da Prefeitura de Juiz de Fora, o Parque Halfeld é listado como tombado:http://www.pjf.mg.gov.br/cidade/lista_cidade/tombados.htm
Alô Prefeitura de Juiz de Fora, quais foram os critérios e os parâmetros patrimoniais utilizados para “adaptação” de um Quiosque romântico com mais de cem anos de existência para este uso?
As fotografias abaixo foram feitas pela responsável por este grupo, em 2012, e mostram o Parque Halfeld.
Estas informações foram recolhidas no Grupo Parque Halfeld - Restauração Já. https://www.facebook.com/groups/641332659260407/
26 de julho de 2014
Jardins suspensos da Babilônia
Os Jardins suspensos da Babilônia são considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Estima-se que foram construídos na Babilônia a mando do rei Nabucodonosor para satisfazer as vontades de sua esposa preferida Amitis, no século VI a.C., tornando-se uma das principais obras arquitetônicas empreendidas pelo monarca durante seu reinado pela Mesopotâmia.
Eram compostos por cerca de seis terraços construídos em platôs, dando a ideia de serem elevadiços – ou suspensos, como o próprio nome sugere. Os andares tinham cerca de 120 m², apoiados por gigantes colunas que chegavam a medir até 100 metros. Cada superfície era adornada com jardins botânicos que continham inúmeras árvores frutíferas, esculturas dos deuses cultuados pelos acádios e cascatas, situadas em uma planície retangular. Para preservar a beleza dos Jardins Suspensos, escravos mantinham o sistema de roldanas e baldes para encher as cascatas e piscinas, distribuindo toda a irrigação para as superfícies do local.
Para tristeza dos pesquisadores, em nenhum dos documentos encontrados na Babilônia no período de Nabucodonosor encontra-se registro da existência dessa gigantesca obra arquitetônica. O que se sabe está registrado em anotações de historiadores da Grécia Antiga, mas, mesmo assim, a maioria de suas informações são muito vagas.
As imagens abaixo representam como teria sido o jardim. A primeira imagem é uma representação pintor holandês Martin Heemskerck (1498-1574) para os Hanging Gardens of Babylon. A segunda também é uma reprodução atual de como teria sido este jardim.
Fonte das informações: InfoEscola
18 de julho de 2014
O mestre na defesa do paisagismo brasileiro
Carlos Fernando de Moura Delphim é mineiro de Lavras, geminiano nascido no dia 17 de junho 1944, filho de Antonieta Maia e Ângelo Constantino Delfino. É, sem dúvida, a maior autoridade quando o tema são os Jardins Históricos Brasileiros. Carlos Fernando foi pioneiro na defesa dos jardins históricos no Brasil passando a tratá-los como bens culturais segundo as normas internacionais de preservação, ainda no início da década de 1980.
Os Pareceres redigidos por Carlos Fernando como técnico do IPHAN são pérolas e verdadeiras aulas sobre paisagismo e preservação de Jardins Históricos. Em um do seus pareceres ensina-nos: "O trato dos jardins históricos tem sempre um aspecto de aprendizado e qualquer ação que se empreenda pode vir sempre acompanhada, senão de erros, ao menos de desacertos. Quanto mais graduais forem os trabalhos mais aprendizado haverá e, em conseqüência, menos erros e desacertos. Novas e subsequentes etapas serão sempre mais eficazes e enriquecidas com as progressivas experiências".
Para Carlos Fernando o Céu de brasília assim como os jumentos do nordeste deveriam ser salvaguardados como patrimônio brasileiro. "Quando cheguei a Brasília, comecei a ficar aflito pela falta de referências de cidade com as quais todo mundo está acostumado. Não tem esquina, não tem pracinha, não tem igreja no fim da rua. Então, em um belo dia em que eu estava entediado, olhei para cima e descobri que Brasília é mais olhando para cima do que para o lado", recorda. "Esse céu é uma bênção, uma coisa maravilhosa" fala de Carlos Delphim sobre o tombamento do Céu de Brasília.
Não há dúvida da importância da atuação de Carlos Fernando de Moura Delphim na defesa e na divulgação dos nossos Jardins Históricos tanto no Brasil quanto no exterior. Rendemos uma justa homenagem a este jardineiro que se fez arquiteto da paisagem.
Fotografia: Cristiane Maria Magalhães. Jardins da Fundação Casa de Rui Barbosa, 2011.
17 de julho de 2014
FRIBVRGVM o Palácio e jardins de Maurício de Nassau
Vrijburg ou FRIBVRGVM foi o nome dado pelo Conde Maurício de Nassau (1604-1679) ao Palácio e jardins que construiu em Recife, no século XVII, durante a ocupação holandesa. O terreno para construção do seu Palácio foi adquirido em 1639 e, durante três anos, esteve em construção. Este é considerado um dos primeiros jardins planejados do Brasil, ainda no século XVII, conforme os preceitos dos congêneres flamengos, do período. Dele, infelizmente, nada restou.
Um dos fatos interessantíssimos foi a transplantação de cerca de mil coqueiros adultos para o parque do palácio. Gaspar Barléu (1584-1648) assim descreveu o transplante destes coqueiros septuagenários e octogenários:
"De fato, observou-se tal ordem no distribuir as árvores que, de todos os lados ficavam os vergéis protegidos pelos fortes e por treze baterias. Surgiam, em lindos renques, 700 coqueiros, estes mais altos aqueles mais baixos, elevando uns o caule a 50 pés, outros a 40, outros a 30, antes de atingirem a separação das palmas. Sendo opinião geral que não se poderiam eles transplantar, mandou o Conde buscá-los a distância de três ou quatro milhas, em carros de quatro rodas, desarraigando-os com jeito e transportando-os para a ilha, em pontões lançados através dos rios. Acolheu a terra amiga as mudas, transplantadas não só com trabalho, mas também com engenho, e tal fecundidade comunicou àquelas árvores anosas, que, contra a expectativa de todos, logo no primeiro ano do transplante, elas, em maravilhosa avidez de produzir, deram frutos copiosíssimos. Já eram septuagenárias e octogenárias e por isso diminuíram a fé do antigo provérbio: "árvores velhas não são de mudar." Foi cousa extraordinária ter cada uma delas dado frutos que valiam oito rixdales".
Sobre o jardim e o parque do Palácio, Barleu ainda descreveu: "Depois do coqueiral, havia um lugar destinado a 252 laranjeiras, além de 600 que, reunidas graciosamente umas às outras, serviam de cêrca e deliciavam os sentidos com a cor, o sabor e o perfume dos frutos. Havia 58 pés de limões grandes, 80 de limões doces, 80 romanzeiras e 66 figueiras. Além destas, viam-se árvores desconhecidas em nossa terra: mamoeiros, jenipapeiros, mangabeiras, cabaceiras, cajueiros, uvalheiras, palmeiras, pitangueiras, romeiras, araticuns, jamacarús, pacobeiras ou bananeiras. Viam-se ainda tamarindeiros, castanheiros, tamareiros ou cariotas, vinhas carregadas de três em três meses, ervas, arbustos, legumes, e plantas rasteiras, ornamentais e medicinais. É tal a natureza das ditas árvores que, durante o ano inteiro, ostentam flores, frutos maduros junto com os verdes. Como se uma só e mesma árvore estivesse vivendo, em várias de suas partes, a puerícia, a adolescência e a virilidade, ao mesmo tempo herbescente, adolescente e adulta” (BARLEU, 1974: p. 160-161).
Era um jardim científico e de vistas. A planta abaixo, publicada no livro do prof. Nestor Goulart Reis Filho, mostra em detalhes os jardins do Palácio. Para o prof., o Palácio de Friburgo, residência de Maurício de Nassau depois de 1642, obedeceu a um plano detalhado, conforme observamos na planta publicada originalmente no livro de Barleu, em 1647.
16 de julho de 2014
Intervenções em Jardins Históricos
As intervenções e também os usos dos Jardins Históricos são regidos por Cartas Patrimoniais (Florença, 1981), pelo Manual de Intervenções em Jardins Históricos (IPHAN, 2005) e pela Carta de Juiz de Fora (IPHAN, 2010). Neste fragmento de um parecer dado pela arquiteta Marta Queiroga Anastácio, sobre usos do Parque Lage (RJ) para festas noturnas, a questão da utilização do bem tombado é colocada em termos bem explícitos: um bem não pode adaptar aos usos, são os usos que se adaptam aos bens salvaguardados.
“A utilização do bem tombado é limitada por condições estabelecidas pelos critérios voltados para a preservação de sua integridade. Jamais se pode tolerar a inversão desta assertiva, ou seja, adaptar-se o bem ao uso pretendido às custas de sua qualidade ou integridade. No caso de áreas naturais, cada árvore, cada pássaro silvestre, cada ninho acha-se implicitamente protegido e qualquer uso cujo impacto os atinja de forma maléfica deve ser afastado. Assim, níveis de decibéis produzidos pelos usuários de áreas naturais tombadas são objeto de restrição e controle devendo, dentro delas, serem reduzidos a limites, sempre inferiores àqueles suportáveis pela fauna, que exigem estudo específico para serem determinados com segurança. Lembre-se que (...) à noite, nos ambientes silvestres reina o silêncio, a paz e a escuridão. Da mesma forma que as emissões de som exageradas focos de alta luminosidade ou brilho são indesejáveis.” Marta Queiroga Amoroso Anastácio. Parecer Sobre a Utilização da Área do Parque Lage para Shows e Festas Noturnas- IPHAN, 1995.
10 de julho de 2014
Árvores são derrubadas no Brasil
Uma notícia triste estampou o jornal Folha de São no 10.07.2014. Uma figueira centenária foi derrubada, em São Paulo no bairro Ipiranga, provocando indignação dos moradores.
Enquanto em Portugal pretendem criar roteiros para as árvores classificadas (ou tombadas) no Brasil uma figueira centenária foi cortada para dar lugar a um empreendimento imobiliário. E, este, claro, não é um fato isolado no Brasil, infelizmente, é a regra.

Enquanto em Portugal...
Porto quer roteiro de árvores classificadas
O acervo de árvores classificadas como de interesse público é "generoso" e "motivo de orgulho" para o Porto, o que leva a autarquia a querer lançar em breve um roteiro dos mais de 230 exemplares monumentais existentes na cidade.
Enquanto em Portugal pretendem criar roteiros para as árvores classificadas (ou tombadas) no Brasil uma figueira centenária foi cortada para dar lugar a um empreendimento imobiliário. E, este, claro, não é um fato isolado no Brasil, infelizmente, é a regra.

Enquanto em Portugal...
Porto quer roteiro de árvores classificadas
O acervo de árvores classificadas como de interesse público é "generoso" e "motivo de orgulho" para o Porto, o que leva a autarquia a querer lançar em breve um roteiro dos mais de 230 exemplares monumentais existentes na cidade.
Atualmente há 237 árvores municipais, de sete espécies, classificadas como de interesse público no Porto, atributo que as dignifica e que lhes reconhece "caráter benéfico e valioso, não só para a cidade em si mas também para as suas comunidades, para as populações e para os visitantes", afirmou, em declarações à Lusa, Isabel Lufinha, engenheira do pelouro do Ambiente da Câmara do Porto.
Pelo seu desenho, porte, raridade ou interesse histórico e paisagístico, estes exemplares municipais estão protegidos enquanto monumentos vivos e são hoje "contadores de histórias", além de serem "elementos riquíssimos em termos botânicos".
A Ginkgo (ou nogueira-do-japão) no passeio das Virtudes, a Araucária (ou bunia-bunia) no jardim da Cordoaria, o Tulipeiro da Casa Tait, o conjunto de palmeiras no Passeio Alegre e a avenida dos plátanos, também na Cordoaria, são alguns exemplos de árvores classificadas cuja presença não passa desapercebida.
O Porto é uma cidade "extremamente verde" e "há que valorizar esse património", afirmou o vereador do pelouro do Ambiente e Inovação, Filipe Araújo, que acredita que "a breve trecho" será possível dar a conhecer aos munícipes e a quem visita a cidade o património arbóreo, através de um roteiro turístico, em formato digital ou em papel.
"Temos essa intenção, a ideia é ir recolhendo o maior número e a maior qualidade possível de informação associada a cada uma das árvores e fazermos um mapa, um roteiro turístico, mas desta vez com as nossas árvores classificadas", frisou também Isabel Lufinha.
A matéria acima foi retirada deste link.
A matéria acima foi retirada deste link.
7 de julho de 2014
O fascínio pela natureza - o Jardim do Bispo de Mariana
EXTRA! EXTRA! A edição n. 105 da Revista de História trouxe matéria intitulada "O fascínio pela natureza", com artigo do historiador Moacir Rodrigo Maia. O antigo jardim dos bispos na cidade mineira de Mariana é matéria da edição de junho da Revista de História da Biblioteca Nacional (http://www.revistadehistoria.com.br/). Disponível em todas as Bancas de jornais. Corre para comprar a sua.
Abaixo, temos algumas imagens da matéria que o autor gentilmente cedeu especialmente para os admiradores dos Jardins Históricos Brasileiros. O Grupo agradece, Moacir! (quem tiver problema para ler, pode pedir nos comentários que envio).
Jardins pelo mundo - Kew Gardens
Jardins pelo mundo: No Kew Gardens, em Londres, uma de suas mais exuberantes estufas exibe as "nossas" belas Vitórias Régias, as Giant waterlily. Uma plaqueta explica que ela foi descrita pela primeira vez em 1801, na Bolívia, e nomeada de Eurgale amazonic. Posteriormente, em homenagem à Rainha Vitória (1819-1901), que reinou no Reino Unido entre 1837 e 1801, mudaram sua denominação para Victoria regia. É uma surpresa ver as gigantes das águas em terras inglesas tão bem cuidadas e adoradas.
Fotografias abaixo da estufa com as Vitórias Régias no Kew Gardens. Para saber mais: http://zip.net/bpnY0G
Fotografias: Cristiane Magalhaes, julho de 2013. Kew Gardens, Londres.
24 de junho de 2014
Jardim Lutzenberger, em Porto Alegre
No Art. 6 a Carta de Florença, ou a Carta dos Jardins Históricos (ICOMOS, 1981), determinou que: "A denominação de jardim histórico aplica-se de igual forma tantos aos jardins modestos como aos parques monumentais ou ornamentais".
Com esta prerrogativa, o "Jardins pelo mundo" apresenta um pequeno jardim concebido na cidade de Porto Alegre - RS. No quinto andar da Casa de Cultura Mário Quintana foi construído o Jardim Lutzenberger em homenagem ao ambientalista gaúcho José Lutzenberger (1926-2002). Lutzenberger era amante e defensor das paisagens naturais e via na jardinagem uma ferramenta singular de estímulo à sensibilidade individual para preservação ambiental. É nisto que acreditamos também.
Este pequeno jardim construído no quinto andar de uma edificação mostra que é possível aliar os jardins aos ambientes urbanos e às edificações. Espaços diminutos podem resultar em belos jardins.
"Passear por um jardim é nutrir a alma e conduzi-la pela fantasia do mundo real em sua miríade de cores, texturas, aromas, formas e demais estímulos. Não há natureza sem poesia e, como bem nos ilustra o poeta Mario Quintana, não há poesia sem natureza". Edgar Salla
Mais informações sobre este jardim podem ser obtidas no link:http://www.ccmq.com.br/espacos-da-casa/jardins/jardim-lutzenberger/
23 de junho de 2014
Campo de Santana - RJ
Esta segunda-feira nublada de inverno traz mais um mistério para os estudiosos do paisagismo do Rio de Janeiro ajudarem a desvendar. Bom dia!
A imagem abaixo, sem data e sem autoria, foi publicada no livro ERMAKOFF, George. Paisagem do Rio de Janeiro: aquarelas, desenhos e gravuras dos artistas viajantes – 1790-1890 (de 2011). É uma imagem de 35,2 x 50,2 cm, de desenho a nanquim e aquarela. Parece-me que retrata o Campo de Santana (à direita se vê os Arcos da Lapa) com uma arena para touradas e, ao fundo da imagem, um palacete com enormes jardins formais. Os jardins ocupavam uma extensão maior do que a do pátio da arena.
Imagem cedida por Cau Barata.
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